|

No passado dia 10 de Novembro, o FLE teve honra de organizar um Encontro na Fundação Calouste Gulbenkian subordinada ao tema: "Liberdade de Escolha e as Escolas com Contrato na Suécia: como, porquê e com que consequências", apresentado pelo Sr. Mats Björnsson da Agência Nacional de Educação da Suécia. Apraz-nos apresentar agora as conclusões do Encontro. Recordamos que este Encontro só foi possível com os apoios da Embaixada do Reino da Suécia, da Volvo (www.volvocars.com), da Autosueco (www.autosueco.pt) e da Brandia Central (www.brandiacentral.com).
A reforma da administração pública na Suécia, no início da década de 1990, descentralizou o poder de decisão, que na educação passou do Governo central para os municípios, para as escolas e para os pais. Dessa descentralização nasceu um sistema em que os municípios e as escolhas passaram a ter uma enorme liberdade na sua organização interna e pedagógica.
Simultaneamente, introduziram um sistema em que o financiamento do Estado segue o aluno para a escolha que ele livremente escolher, dessa forma possibilitando a igualdade de oportunidades na escolha e no acesso às escolas, com as escolas independentes (privadas com contratos de associação) a serem financiadas em igualdade de circunstâncias com as escolas municipais. Através deste sistema em que “o financiamento do Estado segue o aluno” surgiu, no país, um espaço de liberdade que possibilitou que todas as famílias pudessem escolher entre escolas públicas ou privadas, independentemente do seu estatuto social ou da sua situação financeira.
Cerca de 20 anos após a reforma, a Suécia tem vindo a reflectir acerca dos efeitos da liberdade de organização e pedagógica, bem como da liberdade de escolha da escola pelas famílias, na qualidade da educação do país, um debate alimentado sobretudo pelos resultados do PISA 2009, nos quais a Suécia apresenta uma queda de resultados face aos relatórios PISA de anos anteriores.
Todavia, a satisfação dos pais com a liberdade de escolha mantém-se elevada e existe, nos partidos representados no Parlamento, um consenso generalizado acerca das vantagens deste sistema. Tem sido questionado, isso sim, o facto de a liberdade de organização e pedagógica não estar acompanhada de uma definição clara dos standards de aprendizagens que os alunos têm de atingir e de um sistema efectivo de avaliação ao longo do percurso escolar dos alunos.
Este balanço de 20 anos tem permitido, assim, aos líderes suecos avaliar e corrigir alguns aspectos do seu sistema de ensino, nomeadamente (i) em termos de medição das aprendizagens (em particular, introduzindo exame no 3º ano de escolaridade e (ii) em termos de construção do curriculum, especialmente no redesenho dos sylabi nas disciplinas consideradas centrais para o desenvolvimento dos alunos (Sueco, Matemática e Inglês).
Um encontro muito actual, pelo que juntamos a apresentação do senhor Mats Bjornsson bem como algumas notícias apresentadas nos jornais:
Apresentação Mats Björnsson
Notícia Correio da Manhã
Entrevista Diário de Notícias
Artigo sobre a conferência dada pelo senhor Mats Björnsson em Guimarães, a convite do FLE

|